Eu já sabia!
sidney rezende | Sidney Rezende | 23/08/2008 11:12:23
A vitória da seleção de vôlei feminino sobre os Estados Unidos foi um prêmio ao esforço, ao treino pesado e ao talento do atleta brasileiro. As demais modalidades precisam se espelhar na competência de gestão do vôlei e na sequência organizada das competições.
Segundo o narrador Luciano do Valle, a rede de TV NBC que transmite com exclusividade para os Estados Unidos, mandou para cobertura da final de vôlei feminino 950 pessoas do total de 2000. Os americanos sentem agora o fel da derrota. A vitória do Brasil foi maiúscula.
Ressalto o inedetismo da conquista no bronze no taekwondo, de Natália Falavigna. Essa moça ainda dará muitas alegrias para o torcedor brasileiro.
Chegou a hora de trabalhar na base da pirâmide, a hora da administração, da gestão profissional para preparar o país para futuras conquistas.
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Flashs da campanha
sidney rezende | Sidney Rezende | 22/08/2008 18:58:24
A série de entrevistas com os candidatos à prefeito foi uma oportunidade de ver de perto o desempenho dos postulantes ao posto hoje ocupado por Cesar Maia. E também o estilo de cada um.
O senador Marcelo Crivella fechou os olhos e orou antes da entrevista. Ele se saiu bem. Assessores acharam que ele havia acelerado muito durante as respostas. Mas eu acho que não. Se no programa Crivella foi rápido, no horário eleitoral, foi devagar demais.
Quando perguntei sobre os ensinamentos que estava recebendo do publicitário Duda Mendonça, Crivella preferiu falar do vice-Presidente José Alencar. Parece que o Duda está agindo...
O deputado Chico Alencar é cativante. E tirou proveito desta sua qualidade. Professor de História, simpático, há anos fiel ao estilo hippie casual, foi o que mais agradou. Os ouvintes ficaram sensibilizados e enviaram mensagens dizendo que enfim havia aparecido um candidado digno.
Já Fernando Gabeira, inteligente, raciocínio rápido, optou em não comparecer pessoalmente ao estúdio. A justificativa de fazer a entrevista por telefone foi a de que sua presença era estratégica em Brasília. O CBN Rio é líder na classe média e junto aos eleitores esclarecidos. Faltar, foi um erro. Mesmo assim, foi bem na entrevista. Alguns dizem que no corpo-a-corpo é lento, parece uma tartaruga. Outras, já atribuem a idade esta forma compassada de se aproximar dos eleitores. A sua biografia contará mais do que esta, digamos, falta de habilidade.
O ex-Secretário Eduardo Paes escolheu a Saúde como seu carro-chefe. A construção de 40 UPAs será mais batida do que a relação prego e martelo. Mas ainda não sabe se esquivar de dois temas caros para ele: porque é odiado por Cesar Maia e como explicar que quando deputado batia em Lula e agora o afaga. Basta perguntar e Paes fica vermelho. Ele demonstra sentir o golpe. O Duda Mendonça dele precisa trabalhar estas falhas.
Ficou faltando um programa eleitoral decente, mais sustentável. O prefeito é um político, mas precisa ser um bom gestor. O discurso de todos é união dos três poderes. Já é um bom passo.
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Fiasco? Discordo
sidney rezende | Sidney Rezende | 22/08/2008 09:17:55
A imprensa brasileira é engraçada, adora badalar certas figuras que não merecem nem uma linha. E depois, quando conveniente, derruba as personagens que criou e busca outra que as substitua. O velho Adolpho Bloch, editor de Manchete e Amiga, revista especializada em celebridades, repreendeu um jornalista que sugeriu uma capa na favorável ao cantor o Roberto Carlos. "Você está maluco, quer falar mal do cara que mais vende revistas na minha empresä? Esqueça", ele disse.
Vamos ao centro do problema: Não concordo que a delegação brasileira nas Olimpíadas esteja protagonizando um fiasco. Os resultados alcançados até agora são frutos de esforço, heroísmo e talento individuais. A organização do esporte no nosso país é ridícula.
Os jogos Pan-Americanos terminaram e todo o mobiliário deixado já está com paredes ruindo, sem manutenção e o que o pior, sem uma programação esportiva conseqüente. A base é amadora. A gestão dos nossos complexos esportivos é de uma amadorismo que dá dó. E ainda vêm dizer que a campanha foi um fiasco? Nas circunstâncias, a campanha é boa.
Seria salutar que a imprensa esportiva melhorasse sua qualidade. É dever do jornalista se informar melhor, torcer menos. Ler mais o que acontece no mundo das competições e deixar de bajular cartolas.
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Papo de Campanha
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 19/08/2008 10:58:28
Quando esteve em Bangu, na zona oeste, o candidato Fernando Gabeira foi abraçado pelo ex-jogador Aladim. Por lá, ele é popular. Mais que o deputado do PV.
Chico Alencar, da Frente Socialista, mais conhecido, viveu uma experiêcia parecida. E também foi abraçado por um ex-jogador. Mas não foi o Aladim, e sim, Ananias.
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Linda família Caymmi
sidney rezende | Sidney Rezende | 16/08/2008 12:29:08
Os Caymmi são maravilhosos. Esta família é daquelas em que a união, o talento, o carinho entre si, saltam aos olhos. Um clã raro. E o que dizer do amor devotado à música? Quanto já fizeram de bem para nós, não é mesmo?
É hora de retribuir em forma de afeto toda a alegria que nos oferecem nestes anos todos. A morte de Dorival Caymmi, aos 94 anos, é triste pela perda. Mas não muda um mílimetro sua importância para cada um de nós.
Caymmi compôs pouco mais de 100 canções, todas geniais. Todas. Não me recordo uma composição de baixa qualidade. A maioria já está incluída na lista dos melhores clássicos.
Uma música permeada de amor ao Brasil, ao povo pobre e, quase sempre, um tributo a sensualidade tão marcante no nosso traço. Nosso comportamento varia do matreiro ao sexual intenso. O velho Dorival sabia pescar isso com fantástica delicadeza.
Quando escrevi o livro Deve Ser Bom Ser Você a sua neta querida, Stella, de sorriso lindo e enorme vivacidade, me passou o telefone para ele. Conversamos. Educadíssimo, voz suave, já castigada pelo tempo. A audição não estava perfeia. Eu quase chorei de emoção. Sempre fui fã de Caymmi. Foi um momento lindo. Especial.
Sua morte física antecipa o que todos sabemos, o artista tornou-se eterno. Os Caymmi precisam agora do no nosso conforto, nosso respeito e nossa expressão de amor. Stella, Nana, Dori, Danilo, Stellinha e todos os parentes: Deitem suas cabeças no ombro de cada um de nós. Nós amamos vocês, como amamos o nosso velho Caymmi.
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Roubos no Jardim Botânico
sidney rezende | Sidney Rezende | 14/08/2008 10:41:50
As denúncias feitas neste blog começam a ser ouvidas pelas autoridades. O Comandante do Leblon(23o), Carlos Eduardo Milan e a delegada da Gávea, Bárbara Lomba Bueno tomaram providências para impedir novos assaltos na área entre o Clube Militar/Parque Lage e o início da rua Lopes Quintas.
O crime mais recente ocorreu na noite desta quarta-feira(13/8), por volta das 20h. Cinco homens portando pistolas saquearam 4 carros e assaltaram pedestres. Inclusive um porteiro da região, que perdeu seu relógio, só não levaram o celular porque ele jogou no chão.
A PM vai intensificar o policiamento no local; E a Polícia Civil já tem imagens dos bandidos e até a identificação de um deles. Alguns síndicos da rua Afonso Celso e Oliveira Rocha continuam com a suspeita que os crimes tenham ligação com "empresas de segurança" que oferecem seus serviços de segurança. A chamada milícia da Zona Sul teria interesse no local. A delegada Bárbara Bueno não acredita nesta versão.
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Mágoa
sidney rezende | Sidney Rezende | 12/08/2008 08:58:04
A sociedade brasileira não tem uma relação amistosa com a imprensa. As reclamações contra a mídia são de que se publica denúncias sem apuração aprofundada; Avacalha-se a moral das pessoas e quando a correção se faz necessária ela aparece escondida num canto da publicação; a imprensa tem interesses comerciais não declarados, mas após leitura atenta aparecem no tratamento da informação; jornalistas são despreparados e arrogantes. E, finalmente, fala-se tanto de ética e isenção, mas a mídia é a primeira a virar as costas quando se reclama que seus assuntos internos deveriam ter tratamento público.
Neste momento olímpico, são os atletas e seus principais preparadores quem reclamam da forma como a mídia trata "vitoriosos e derrotados".
Dois exemplos, entre tantos. Antes da disputa em Pequim, - e mesmo durante- , o judoca João Derly era considerado "um dos maiores talentos do esporte nacional". Bastou sua derrota para ser esquecido pelos jornalistas. Ronaldinho Gaúcho estava liquidado para o futebol, eis que agora reaparece como gênio. Em tempo, Ronaldinho é mesmo gênio, quer queiram ou não seus detratores.
O fato é que as coberturas jornalísticas de grandes eventos costumam ser difíceis, onerosas e desgastantes. Quando se desloca equipes para esta tarefa torna-se necessária a preparação de outras para o serviço de retaguarda. Normalmente, horários não são respeitados, escalas são alteradas sem considerar agendas pré-estabelecidas e a exaustão física destes profissionais é notada à distância.
Mas nada disso justifica o atropelamento das regras básicas do bom jornalismo. Nós, profissionais deste ofício, precisamos urgentemente nos abrir para a sociedade, sepultar a prepotência e entender que não somos fruto da nossa única vontade, e sim, prestadores de um serviço indispensável. Desde que praticado com equilíbrio, seriedade e isenção.
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Outra Rocinha
sidney rezende | Sidney Rezende | 07/08/2008 21:40:52
Mais uma favela está se multiplicando no Rio. Desta vez do lado da Barra, cravada o maciço da Tijuca. A floresta sofre novos ataques pela encosta do Itanhangá e novamente cria-se mais uma nova "Rocinha".

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Chocante
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 07/08/2008 21:26:38
O biólogo Mario Moscatelli me mandou uma foto que é prova definitiva da irresponsabilidade coletiva: tanto dos moradores do Pavão-Pavãozinho como da Prefeitura comandada por Cesar Maia. Repare bem. A língua de entulho que você vê nesta foto é o lixão que se transformou a lateral da favela.
O morador joga fora o que não quer mais, e a Comlurb não se preocupa em coletar. É o triste retrato do Rio de Janeiro real, distante dos cartões postais. De uma elite que não investe em educação social e nem sabe governar. Isto chama-se crime de abandono e incompetência de gestão.

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Créu
sidney rezende | Sidney Rezende | 07/08/2008 11:40:54
O deputado Paulo Ramos, candidato à prefeito pelo PDT, surpreendeu hoje ao dizer que não só gosta de funk como é um exímio dançarino do Créu. Do alto dos seus 63 anos, mostrou muita vitalidade.
E, no mais, dá-lhe promessas e abraços: quer porte de arma pessoal para os guardas municipais; atividades escolares nos clubes do bairro; abraços para os rodoviários, professores, médicos, brizolistas...
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Os furos dos candidados
sidney rezende | Sidney Rezende | 06/08/2008 21:40:24
O programa CBN Rio começou nesta segunda(4/8) a série de entrevistas com os candidados à prefeitura da cidade. A cobertura completa você encontra na editoria Eleições 2008, aqui no Portal.
O primeiro sabatinado foi o deputado federal Filipe Pereira, da Coligação Rio Esperança (PRP/PSC). Um jovem de apenas 24 anos. Ele compareceu ao estúdio com o vice a tiracolo, o advogado Rogério Vargas, antigo militante do PDT e hoje um dos "ideólogos" do PSC; e com sua assessora de impressa, querida amiga, Eliane Furtado, que sempre me tratou com carinho desde o primeiro dia que pisei na redação da extinta TV Manchete. Eliane é autora do livro Câncer: Sentença ou Renovação?, da Hama Editora.
Filipe é articulado. Simpático. Dentes de Ronaldo Fenômeno. Separados, como um grande coelho. A arcada dentária chega antes dele.
O seu desempenho radiofônico foi positivo, apesar de repetir à exaustão "nós", "nós", "nós"... Próximo ao término da entrevista ele soltou um "nós vamos assumir à prefeitura". Eu não me contive: "o senhor vai me levar? Ou irá sozinho?"; Sorridente, ele rebateu: "Sim. Não se governa sozinho". Boa tirada.
No dia seguinte, a entrevistada foi deputada Solange Amaral, da coligação Experiência e Sensibilidade para cuidar do Rio(DEM/PTC/PMN). O detalhe curioso é que no site do TRE sua chapa se chama "Experiência e Senbilidade para MUDAR o Rio". Mudar? Mas ela não é candidata da situação? Vai entender.
Completamente sem humor Solange tropeçou numa graça que fiz. Um ouvinte perguntou como resolver a grande quantidade de buracos na cidade. E a candidata resolveu falar - nada a ver! - das vantagens do AquaRio, o Aquário Marinho da Cidade do Rio de Janeiro, construção prevista para o terreno da ex-Cibrazen, na zona portuária. Os ouvintes receberam muito mal este factóide.
Eu perguntei: "A prefeitura vai construir um aquário nos buracos da cidade?". Ela perdeu a linha. Juntou os papéis na mesa e ameaçou levantar. Depois de me fuzilar com os olhos, retomou: "Brincadeiras à parte...". E voltou a falar do tal do aquário e a beleza da obra. Até eu fiquei sem graça.
Para descontrair, já no finzinho da entrevista, eu disse que ela deveria melhorar o humor, até porque tem um sorriso bonito. E tem mesmo.
O entrevista desta quarta(6/8) foi a vez do candidato do PCO, Antonio Carlos Silva. O ex-opérário mandou ver. Atacou as elites, os banqueiros, o presidente Lula, o governador Sérgio Cabral, o Prefeito Cesar Maia, o PT, a Polícia, a Igreja. Falou mal de geral! Não sei porque ele me poupou. Ao contrário. Fora do ar disse que sou muito ágil. Ufa!!!
Os próximos entrevistados, em ordem, são: Paulo Ramos, Alessandro Molon, Vinícius Cordeiro, Eduardo Paes, Fernando Gabeira, Chico Alencar, Eduardo Serra, Marcelo Crivella e Jandira Feghali. Não deixe de ouvir a CBN! E depois, aqui no Portal, leia a cobertura completa.
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Reação dos moradores
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 03/08/2008 21:57:30
Como antecipamos aqui neste blog, os grupos que oferecem segurança particular, chamados de milícias da "zona sul", estão de olho no bairro do Jardim Botânico. Tentaram dominar Botafogo e foram rechaçados, e por isso mudaram de estratégia.
Depois do alerta diante da estranha sequência de crimes na região, os moradores resolveram reagir. Os síndicos dos edifícios localizados entre o Parque Laje e a rua Faro marcaram uma reunião pública para o dia 12 de agosto na bucólica, e escondida, praça Pio XI, localizada a menos de 200 metros do Hospital da Lagoa.
O propósito do encontro é discutir a forma de ação contra a sanha destes vigilantes amadores. Ou na altura do campeonato profissionais? Tenho um amigo que diz que contratar estes serviços é um casamento para a vida inteira. E o que é pior, ao que tudo indica, costumam ser fantoches de ex-policiais, que agora se intitulam gestores desta nova modalidade de negócio.
Os síndicos da região estão muito preocupados. Além da estranha presença de pessoas oferecendo serviços de segurança, agora surge outra macabra suspeita: PMs podem estar fazendo vista grossa para a chegada da milícia da "zona sul".
Moradores contam que policiais militares, sem qualquer aparente identidade com o bairro, não são bons exemplos de educação. Já se viu abordagem ríspida, quase hostil. O medo de denunciar estes maus policiais é grande.
O que chama a atenção é a forma passiva do Comandante do 23º BPM, Tenente-Coronel Carlos Eduardo Millan, a quem estes policiais são subordinados. Será que ele desconhece o movimento do seu efetivo no local?
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Desafio eleitoral
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 03/08/2008 08:06:05
A editoria Eleições 2008 do SRZD traz diariamente a confirmação: os traficantes e os milicianos estão se portando como donos do espaço que atuam. Ali eles impõe uma ordem própria que faz fiscais do TRE do Rio de Janeiro, jornalistas e candidatos a se submeterem a uma rigorosa lista de obrigações.
O "forasteiro" não pode fotografar, andar pelo lugar sem autorização ou bater nas portas dos moradores. Os fiscais eleitorais foram tocados para fora. "Aqui vocês não mandam nada, pra fora...pra fora...", dizia uma exaltada traficante com arma na mão.
Neste sábado, foi a vez dos candidatos Alessandro Molon, Fernando Gabeira e Chico Alencar serem ameaçados nas favelas de Nova Holanda, no Complexo da Maré, e da Vila Cruzeiro. O que mais as autoridades precisam para tomar medidas imediatas de proteção aos candidatos e ao eleitor? E afinal, os bandidos são realmente os "donos" das favelas cariocas?
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Você já pensou nisso?
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 02/08/2008 09:42:04
O respeitado empresário Carlos Salles é um homem de muita personalidade. E um brilhante gestor. Foi presidente da Xerox do Brasil no seu melhor momento histórico. E hoje se dedica a multiplicar o conceito de qualidade pelo país. Ele me mandou uma mensagem muito interessante, que certamente servirá para a nossa reflexão:
Amigo Sidney, perdoe-me importuna-lo com esta catarse, mas achei que, como jornalista esclarecido e com grande poder de influência, você talvez possa contribuir para que o Brasil se livre de um comportamento medieval que parece estar presente numa enorme parcela da nossa população. O assunto chega a ser bizarro: trata-se do hábito que se desenvolveu no Brasil (e, até onde observei, SOMENTE NO BRASIL) de jogar papel higiênico usado nas cestinhas e, NA FALTA DESTAS, NO CHÃO. Este assunto mereceu, no mês passado, um espaço na seção? Questões Éticas? da Folha de São Paulo que, sobre ele, consultou especialistas. Um professor da USP condenou essa prática como absurda e explicou as riscos que ela traz para a saúde das pessoas. Mas, por incrível que pareça, um funcionário da SABESP (equivalente à nossa CEDAE), aprovou o uso das cestinhas, com o argumento estapafúrdio de que assim os papeis não vão entupir os córregos para onde fluem? In natura?, 40% dos esgotos de São Paulo. Imagine, Sidney, despejar esgotos não tratados nos córregos não é problema, desde que o papel higiênico não vá junto. Fiquei boquiaberto com tamanha imbecilidade.
O fato é que este mau hábito se propaga rapidamente e os brasileiros, no exterior, ganham fama de porcos. Um amigo meu, agente de viagens, acompanhou um grupo à Itália e, um dia, numa cidadezinha da Toscana, foi chamado pela gerência do hotel para ouvir reclamações quanto ao fato de aquele grupo de brasileiros jogar o papel higiênico usado nas cestinhas e não dar descarga. Foi um vexame dos infernos...
Eu mesmo, em Buenos Aires, no banheiro de um Shopping muito elegante, me deparei com um aviso, ESCRITO APENAS EM PORTUGUÊS, onde se dizia que o papel usado deve ir para o vaso; com letras grandes, vermelhas, vinha o apelo: Por favor, use a descarga?. Aliás, nos banheiros dos aeroportos Santos Dumont e Congonhas, há funcionários cuja missão é dar descarga, tarefa para a qual, aparentemente, muitos dos nossos compatriotas são incapazes.
Já discuti ferozmente com engenheiros que argumentam, de forma absurda, que o papel entope as fossas sépticas. Com base em estudos científicos, comprovo a esses ignorantes que é exatamente o contrário: o papel alimenta as bactérias que limpam e fazem funcionar as fossas. E sempre explico que morei na cidade americana de Westport, Connecticut, uma das dez cidades mais ricas dos Estados Unidos, onde até hoje não existe rede de esgotos fora das três ruas de comércio. Ali todos se utilizam de fossas e ninguém coloca papel na cestinha. É porque, desde pequenos, os americanos aprendem esta dificílima arte que é dar descarga num vaso sanitário.
Conto com o perdão do meu amigo pelo fato de trazer à baila um tema tão esquisito, tão mal-cheiroso. Mas me angustia ver como este hábito horrendo e medieval se espalha pelo Brasil. Pior, esta barbaridade é endossada por pessoas supostamente responsáveis pela nossa saúde pública, com argumentos que só poderiam ser invocados por analfabetos ou débeis-mentais.
Mas estou certo de que, levantando a questão no seu programa, você estará dando uma colaboração imensa aos nossos sonhos de sociedade desenvolvida.
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blá blá blá
Sidney Rezende | Sidney Rezende | 02/08/2008 08:45:45
Li na editoria Eleições 2008 neste Portal que o candidato Fernando Gabeira tem projetos de criação de novas linhas de metrô e ampliação das atuais. Ele conhece bem do assunto já que foi motorneiro de composições no seu período de exílio na escandinávia.
O problema é outro. Já estamos calejados de ver candidatos demonstrarem seus desejos mais sinceros de realização se transformarem em nada. Até porque tudo é feito com muita improvisação.
Não só os projetos são mal acabados, - quando chegam a existir, - como irrealizáveis. Seja por falta de recursos ou porque o postulante a "tocador" de obras os abandona depois de eleito.
Nestes casos o eleitor constata que as promessas não passaram de grande blá blá blá.
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