O horário do sambista
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 26/08/2008 12:00:47
O amigo colunista Lula Branco Martins fez uma pergunta. Se ele me permite gostaria de tentar responder.
"E o que dizer destes cortes de samba? A disputa começa, começa, veja bem, começa!!!, uma e meia da manhã em algumas escolas. O que é isso? Pra que isso? Pro pessoal consumir mais cerveja? É só por isso mesmo? Aí em escolas em que há muitos sambas inscritos a coisa só acaba depois de quatro e meia da matina. Pra que isso, minha gente?" (Lula Branco Martins)
As noitadas de samba começam após o jantar, após o jornal da noite e nunca antes de terminar a novela da época. E a noitada só começa de verdade no caminho para a quadra e aí já são 10h da noite. Mas é preciso ter cuidado para não se atrasar muito, pode ser que o ônibus que o leve para o samba já tenha encerrado suas atividades naquele dia. E é aí que tento responder ao companheiro escriba Lula Branco Martins.
O nosso sistema de transportes coletivos é péssimo durante a madrugada. Diversas linhas deixam de funcionar após meia noite e só retomam suas atividades lá pelas cinco da manhã. Se começarmos os cortes de samba muito cedo eles terminarão por volta das 3h da matina e veremos nossos sambistas aguardando o seu retorno para casa por um tempo raramente inferior a 2 horas...
Por isso e como dirigente sempre lutei para que os sambas começassem mais tarde e levássemos a noite, já madrugada, até por volta das 4 e meia da manhã. Assim nossos freqüentadores sairiam e sem muita demora poderiam tomar o caminho de volta a casa.
Imagino o Lula lendo essa matéria e fazendo cara de quem não aceitou muito minha resposta. Posso tentar uma outra explicação?
O pessoal chega na porta da quadra realmente por volta das 22h e por ali encontra os amigos e lembram, como todo bom sambista, que o preço da cerveja lá dentro é quase o dobro, quando não é mais que isso, que o preço da cerveja nas barraquinhas do entorno da quadra. E é aí que se inicia, de verdade, a maratona etílica da noite-madrugada.
Eu mesmo, e acompanhado de outros diretores da escola, já permaneci nas barraquinhas tomando as abençoadas geladinhas que Deus nos deu. E fica esse jogo de empurra: O dirigente esperando o sambista, que com a quadra cheia, começar o samba e lá de fora os sambistas esperando a continuada saideira ou a última entradeira (afinal chega a hora de entrar na quadra) da noite. E nisso a hora vai passando, passando e já são 1h da manhã. Já devidamente calibrados entram os sambistas. Por isso, os sambas começam tão tarde.
Espero que essas duas tentativas de explicação tenham convencido o amigo Lula Branco Martins. Em tempo: E já que falei em cerveja, gostaria de comentar em nossa próxima Conversa de Carnavalesco, a matéria do companheiro Issac Ismar - Lei Seca: o samba arruma seu jeito.
Um abraço e até lá
Luiz Fernando Reis
| 12 Comentários
|
Topo
Um bom enredo nasce em casa
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 13/08/2008 09:17:26
"Há quem reclame (entre eles o colega Luiz Fernando) que esteja sendo criado um "escritório de enredos", assim como já acontece no mundo dos sambas. Ele próprio pode entrar em detalhes sobre isso." (Eugênio Leal)
Semana passada o amigo e colunista "Eugênio, o Leal" citou o meu nome em sua coluna e me desafiou a comentar o assunto "escritório de enredos". Vamos responder ao amigo.
Reafirmo que não gosto das empresas de enredo e explico: Um enredo é uma peça fundamental no que eu chamo de um projeto de carnaval. O enredo é o germinar de tudo. É a partir dele que tudo se inicia. Os figurinos de alas, destaques, figurações e composições se originam nas propostas do enredo. O projeto alegórico tem sua origem nesse mesmo enredo. Os sambas são orientados e inspirados na sinopse desse enredo. E todo um carnaval, ou como prefiro chamar, projeto de carnaval começa nele. Portanto, o enredo é a peça fundamental de um carnaval.
Por isso, eu não gosto de ver esse momento tão importante sendo terceirizado e sendo realizado por mãos e cabeças não totalmente entrosadas no ambiente da escola. É claro que uma sinopse tem a total participação do carnavalesco da escola, afinal, ele é o grande mentor de todo o processo, mas nem sempre esse profissional tem, além dos dotes plásticos, os dotes literários necessários para a confecção de uma boa sinopse, por isso aceito com naturalidade quando uma escola tem um profissional para isso. Um profissional que em parceria com o carnavalesco desenvolva o texto de um enredo.
Assim é na Unidos da Tijuca, onde o Julio César Farias em parceria com o carnavalesco Luiz Carlos Bruno desenvolve a sinopse do enredo. Na Vila Isabel, o pesquisador Alex Varela se une ao carnavalesco Alex de Souza na composição de sua sinopse. Na Mangueira, o departamento cultural é um braço auxiliar na criação do enredo e da sinopse. No Salgueiro, o carnavalesco Renato Lage tem no departamento cultural uma assessoria valiosa. Nosso ex-colunista Gustavo Melo faz parte dessa diretoria do Salgueiro. E quando a sinopse nasce com a participação de componentes da escola, sejam eles profissionais ou não, esse apoio me parece o ideal.
Mas não quero desmerecer o trabalho do Marcos Roza, trabalho esse, que a exemplo do que colocou o Eugênio Leal, também admiro muito. Eu gosto da forma rimada como o Marcos trata as suas sinopses, ele é inegavelmente um bom profissional. Faz um bom trabalho como pesquisador e como "sinopsista" (neologismo agora criado).
A minha crítica maior vai para as escolas que se acomodam e preferem contratar um profissional, terceirizando um trabalho que deveria ser desenvolvido em casa. Uma sinopse é muito importante e não vejo com bons olhos quando ela é escrita de fora para dentro da escola.
O que proponho é que as escolas de samba valorizem os seus departamentos culturais, que são, na maioria das vezes, cargos decorativos. Que as escolas criem projetos culturais e que através deles possamos resgatar, por exemplo, a memória de nossas escolas. Cada vez que um componente da Velha-Guarda morre, cada vez que uma baiana nos dá adeus, eles levam consigo toda uma história, um pouco do passado, das tradições e da cultura dessa escola. Um bom departamento cultural poderia nos auxiliar nesse resgate da história de cada uma de nossas escolas de samba.
E no momento da escolha de um enredo esse departamento cultural seria o braço literário que muitos de nossos carnavalescos necessitam. A sinopse não seria contratada, seria trabalhada e lapidada no ambiente da escola. Por isso prefiro que as sinopses nasçam dentro das escolas. Esse é apenas o meu ponto de vista.
Apenas um toque: Ninguém merece ler que a Associação poderia desfiliar quatro escolas do Grupo de Acesso. Não somente elas como outras 7 (agora 10) tomaram por si mesmas essa decisão. Que a Lesga venha para valorizar o Grupo A, mas que saiba valorizar e respeitar o sambista que tanto gosta dos desfiles do Grupo de Acesso A.
Um abraço
Luiz Fernando Reis
| 11 Comentários
|
Topo
E que vençam os melhores!
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 03/08/2008 21:39:10
As escolas entram agora em seu segundo momento, enredos escolhidos, sinopse nas mãos dos compositores e começam a nascer versos, rimas e melodias, estruturas melódicas diversas e variadas na busca de ver seu samba como o hino da escola. Essa é uma fase que me agrada bastante num projeto de carnaval. Algumas escolas chegarão a 70 ou 80 sambas, outras não passarão de uma dúzia deles. O importante é que teremos as escolhas dos sambas para 2009.
Como carnavalesco e como diretor de carnaval tive a oportunidade de participar, como julgador, de mais de 3 dezenas de escolhas de sambas e gostaria de compartilhar com os amigos essa minha experiência em escolher sambas-enredo.
A coisa toda começa na entrega da sinopse. Aqueles sorrisos largos e otimistas dos compositores te recebem como um rei, abraços e mais abraços e cumprimentos fazem prever uma tranqüila e agradável escolha de samba-enredo. Mas a coisa vai mudar... Em breve os sorrisos se tornarão cada vez mais raros, os abraços serão tímidos ou inexistentes. Aparecerão as caras feias, os rostos fechados dos compositores que olharam seu samba ser eliminado do processo. E aqueles amigos do inicio do concurso vão desaparecendo com os cortes dos sambas. E vão desaparecendo da escola também. Alguns estarão de volta em um mês, mas a maioria você só verá no dia do desfile e ainda reclamando do samba vencedor.
Alguns compositores nessa fase de corte até evitam falar com os membros da comissão de escolha do samba. Até mesmo nós da comissão preferimos apenas um cumprimento sóbrio e rápido, já que um cumprimento mais afetuoso pode se tornar o papo predileto dos outros concorrentes. Os demais compositores podem ver nisso, e com certeza imaginarão, uma possível armação.
Para quem não está muito envolvido na escolha de um samba-enredo imagina um momento de paz, tranqüilidade e harmonia, onde todos os segmentos da escola se irmanam na busca do melhor samba. A coisa vai muito além disso. Muitas vezes um compositor mais simpático, mas com um sambinha fraco consegue o apoio de alguns segmentos da escola. E esse segmento tenta te convencer das qualidades daquele samba bom de corte. E você nem pode questionar o gosto daquele componente, esse comentário chegará ao compositor.
Muitas vezes um samba pra lá de mediano sempre se classifica e está quase chegando na final ultrapassando sambas bem melhores que o dele. Saibam que o diretor tesoureiro adora esse samba, na verdade, o que ele adora são as centenas de cervejas e pratos de salgados consumidos pelo comprositor (não errei não, ele não compõe, ele compra tiques de cerveja, tiques de batidas, CDs para quase toda a escola, adereços para a torcida e vai por aí).
É claro que esse samba pode até chegar a final, mas será apenas um boi de corte, um convidado endinheirado que serviu apenas para engordar a receita da escola até o último momento. Nos grupos de acesso onde o dinheiro é muito escasso essa prática é muito normal. Nas riquinhas do Especial isso, atualmente, é muito raro acontecer, mas ainda acontece. Por isso não tentem classificar os sambas, na medida em que eles caem. Essa ordenação, certamente, será errônea.
Uma outra coisa que a gente percebe num concurso de sambas-enredo é que quanto mais sambas apresentados, mais sambas ruins a gente precisa escutar. De um modo geral a metade dos sambas apresentados são muito fracos. Não me queiram mal, meus colegas compositores, assim como o Eugênio e o Lula Branco Martins também arrisco uns versinhos, mas essa é a verdade. Raramente numa disputa de samba-enredo, a coisa vai além de dois ou três sambas com reais possibilidades de vitória. Os demais são bois com abóbora, alguns até bem temperados, mas sem nenhuma chance de vitória.
Nisso tudo, uma coisa é certa. Já vi escolhas erradas de sambas, já vi sambas excelentes serem cortados antecipadamente por razões pessoais e descabidas. Já vi sambas caírem e retornarem. Já vi de tudo um pouco nas seleções dos sambas-enredo e vejo com muito otimismo a seriedade com que as escolas tem encarado suas escolhas.
Afinal, um bom samba-enredo puxa consigo outros quesitos em julgamento. Harmonia, Evolução e Conjunto são três deles que crescem muito com uma boa escolha. Que todas as escolas saibam escolher seus melhores sambas. Nós, sambistas agradeceremos. O Carnaval Carioca agradecerá. Ainda volto a esse assunto, temos muito a conversar sobre ele.
Um abraço
Luiz Fernando
| 15 Comentários
|
Topo
A reedição de um samba-enredo
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 26/07/2008 00:23:49
O SRZD-Carnavalesco no dia 23 de Julho de 2008 publicou a seguinte matéria:
"Foi batido o martelo. O Império Serrano vai reeditar o samba-enredo "A lenda das sereias, rainhas do mar", apresentado no Carnaval de 1976. Com a reedição, o Império poderá receber a verba de R$ 500 mil dada pela Liesa para escola do Grupo Especial que reeditar um samba-enredo.
Vale lembrar que no Carnaval 2006, a Inocentes de Belford Roxo fez a reedição do mesmo "A lenda das sereias". Os autores do samba são Dinoel Sampaio, Vicente Matos e Arlindo Veloso".
Quando me preparava para comentar essa matéria recebi na lista de discussão Planeta Samba esse comentário do amigo Rodrigo Paes, lá do Paraná, e que aqui, com a sua devida autorização, reproduzo.
"Amigos,
Ao ler esta notícia, que me deixou surpreso (acho que preciso andar melhor informado), fiquei me perguntando: qual a vantagem de se criar algo novo diante de tamanha benevolência em receber uma generosa gratificação para algo que já está pronto?
Sinceramente, acho essa atitude da Liga pra lá de questionável. É uma pena.
Tudo bem que mais uma vez teremos o prazer de ouvir mais uma vez esse belíssimo samba pela terceira vez (pra mim será a segunda porque em 1976 eu não era nem projeto), mas não sei, sou bastante resistente à esse negócio de reedição..."
Abraços,
Rodrigo Paes
É isso aí Rodrigo. Concordo contigo. Por que devemos criar um novo enredo se a própria entidade que organiza os desfiles do Grupo Especial patrocina com R$ 500 mil uma reedição de samba-enredo?
As notícias de samba, muitas vezes, nos fazem perder a noção de dinheiro. Gente, R$ 500 mil é muito dinheiro, quase o dobro do que recebe uma escola do Grupo de Acesso A para colocar seu carnaval na rua.
Dentro de uma visão romântica dessa situação sou contra a reedição de sambas, ouvir novamente um samba, que fora reeditado, não é tão agradável assim.
Mas se nos colocarmos numa visão mais realista da situação, na ótica dos dirigentes do Império Serrano (ou será da Império Serrano, como o Lula Branco nos ensinou a questionar o sexo das escolas?) perceberemos que essa reedição cai como uma luva numa escola recém chegada do Grupo de Acesso A e que certamente chega ao Especial com dívidas. Esse R$ 500 mil provavelmente colocarão no mesmo patamar financeiro, descartados os patrocínios extras, de suas concorrentes no Especial.
E tem mais um dado pertinente no processo criativo. Para o carnavalesco uma reedição de samba-enredo permite criar o enredo em cima do samba já pronto, o que não acontece num enredo original, já que nesse caso a criação do enredo, e aqui coloco como disposição de alas e alegorias, acontece de forma simultânea à escolha do samba enredo. E nem sempre o samba escolhido é o melhor retrato do que o carnavalesco precisaria para dar um melhor entendimento a seu cronograma de desfile.
Desfilar com um samba reeditado permite uma leitura bem mais clara do enredo, já que ele foi criado com o samba-enredo já pronto, testado e aprovado.
Parabéns para diretoria do Império Serrano por tomar essa decisão: Sanear suas dívidas e permitir que a carnavalesca Márcia Lávia desenvolva o enredo totalmente adaptado ao samba.
Um Abraço
Luiz Fernando Reis
| 19 Comentários
|
Topo
LESGA - Favorável desde que...
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 17/07/2008 23:56:44
A principal razão apresentada pelos insatisfeitos presidentes das escolas do Grupo A para a fundação da LESGA são as mesmas de quando a LIESA foi fundada há alguns anos atrás. A Associação usa um sentimento pequeno e iguala escolas do porte de uma União da Ilha, São Clemente, Caprichosos, Rocinha, Estácio e até ano passado o Império Serrano com as pequeninas escolas do Grupo E.
Com todo o respeito que essas escolas merecem, não podemos comparar a grandiosidade do espetáculo de um Grupo A com a humildade dos desfiles do Grupo E, compreensível pelos poucos recursos recebidos por essas escolas.
O que comenta-se é que a reeleição nada programada do atual presidente da AESCRJ tenha sido a gota d?água para a separação do grupo de elite da Associação das demais co-irmãs.
A exemplo do companheiro Eugênio Leal vejo com otimismo a criação de uma entidade coordenadora dos desfiles do Grupo de Acesso A, mas um otimismo cauteloso.
Não podemos ser favoráveis, se uma supervalorização dos desfiles de sábado elevar a preços proibitivos os ingressos desse grupo. Não podemos tentar crescer a receita e esvaziarmos o público presente e participativo de hoje.
Não podemos ser favoráveis, se uma supervalorização dos desfiles de sábado nos impedir de assistir a fraca, porém, existente transmissão dos desfiles de sábado, nem encarecer o bom produto fonográfico que temos hoje, e diga-se de passagem bem mais autêntico e mais gostoso de ouvir que o oferecido pela LIESA.
Não podemos ser favoráveis, se o julgamento da Grupo A sair das mãos da Secretaria das Culturas, que mal ou bem, melhorou e muito, os resultados dos últimos carnavais.
Não podemos ser favoráveis, se a LESGA se imaginar uma mini LIESA. Os desfiles do Grupo A possuem características e particularidades próprias e descaracterizá-las seria lamentável.
Se A LESGA chega querendo dar maior visibilidade, maior força política, maior divulgação de um produto excelente que é o desfile do Grupo A estamos firmes apoiando a iniciativa.
E não duvido que em bem pouco tempo, alguns poucos anos, não tenhamos a criação da LESGB ? Liga das escolas do Grupo B.
Viradouro
Lamentei a saída do carnavalesco Paulo Barros da Viradouro, mas fiquei muito contente ao ler a sinopse que o Milton Cunha preparou para a escola. Se a alegria e descontração passada na sinopse se transformar num bonito samba e a irreverência escrita aparecer na avenida, será muito bom revermos Bahia na Sapucaí.
Um abraço
Luiz Fernando Reis
| 7 Comentários
|
Topo
Não sou dono da verdade e nunca serei
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 16/07/2008 23:46:16
Nessa última semana, um comentário de um de nossos leitores me deixou por demais intrigado. Dizia que um colunista é um formador de opinião. E de repente me assustei muito com essa coisa de escrever colunas num site de carnaval.
Sinceramente, eu não me vejo como um formador de opinião e nem quero ter essa responsabilidade tão grande. Me considero um explanador de idéias, um expositor de teorias e argumentos, mas que em nenhum momento representam a verdade absoluta do assunto abordado.
Não quero e não sou o dono da verdade e tenho a certeza que nenhum de nós colunistas tem essa pretensão. A grande razão de uma coluna, qualquer que seja o assunto que ela aborde, é trazer um argumento que sintetiza o ponto de vista desse articulista. Esse deve ser o ponto de partida de análise e reflexão dos leitores e cada um siga o seu ponto de vista, tira da matéria o que for útil e descarte o que não considerar pertinente.
Com sinceridade, o melhor colunista está em cada um de nós. Quantas vezes lendo um comentário de um leitor percebo que seu argumento é melhor que o meu, quantas vezes lendo um de nossos comentaristas, que são vocês leitores, noto uma argumentação bem mais consistente que a minha. Quantas vezes um contra-argumento me convence de que imaginara não era tão correto assim.
Eu não concordo com tudo o que o Eugênio escreve por aqui, já discordei várias vezes da Thatiana e do Lula. Tenho certeza de que cada um discordou de alguns de meus pontos de vista. Mas aprendo sempre um pouco com cada um deles. E acredito que eles aprendam comigo também.
É assim que vejo um coluna: Um painel de idéias que nem sempre são concordantes com o meu modo de pensar. Uma coluna é um ponto de partida de um amplo e salutar debate, onde ao final cada parte discordante terá dado um salto de qualidade na sua forma de pensar.
E na boa: Verdade, quem tem?
E pra não deixar de falar em samba, gostaria de confessar que gostei muito da penúltima matéria do Eugênio Leal e gostaria de acrescentar algumas observações.
É inegável o talento do carnavalesco Alex de Souza, que conheço desde os tempos em que era apenas um auxiliar de figurinos do mestre Renato Lage. O moço é de um bom gosto invejável, trabalha formas e cores de forma admirável e não foi à toa que de seu risco nasceram, em minha opinião, o melhor conjunto alegórico, em luxo, adequação e requinte do carnaval passado. E tem esse ano um enredo autoral, bonito e elegante, mas um enredo clássico e limitado. Com a chegada do Paulo Barros, a frieza desse enredo pode ganhar novos ares e o trabalho do Alex crescer em vários sentidos. Assim como o trabalho do Paulo falta receber um desfile de escola de samba que faltou no carnaval passado.
Poderia o Alex ter negado o pedido de seu presidente Moisés, poderia ter fincado pé firme e não ter admitido a inclusão de um carnavalesco renomado ao seu lado. Mas tem um sábio ditado que sempre lembra: Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Além de bom gosto e talento o Alex teve juízo e torço muito para que essa parceria dê certo e como o Eugênio já colocara em sua coluna, a Vila que estava meio escondidinha, acordou e clamou: Estou viva e vou brigar de verdade por esse carnaval.
Essa é a verdade? Claro que não. Essa é apenas a minha opinião. E que venha mais um rodada de bons debates.
Um abraço
Luiz Fernando Reis
| 13 Comentários
|
Topo
Surpresas desagradáveis do carnaval
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 06/07/2008 20:58:45
"Paulo Barros não vai trabalhar no Grupo Especial no Carnaval 2009". Esse título pareceu uma brincadeira e de muito mau gosto. Porém, a nota não tinha nada de brincadeira. O mais importante carnavalesco dos últimos desfiles está fora da elite de nosso carnaval.
Está fora por que soube ousar, soube ser abusado, quebrando normas e padrões de como se deve fazer carnaval. Ele seguiu um outro caminho, o seu caminho e nos encantou. Transformou, sem medo algum, pessoas em alegorias e fez, como nunca tinha sido visto, alegorias de pessoas que tinham uma função específica, isto é, contar o enredo daquela alegoria.
Não eram simples composições, eram atores representando como numa peça teatral. É claro que não foi o Paulo, o inventor de pessoas encenando numa alegoria. A Rosa Magalhães já havia feito isso, a Beija-Flor já fez teatralizações em seus carros, o saudoso Oswaldo Jardim já fizera antes, mas nenhum fez com tanta grandiosidade como Paulo Barros.
Ele não foi tão surpreendente esse ano, ele errou pois priorizou demais o show em detrimento do desfile de escola de samba. O seu crédito nos permitia aceitar seus erros. Qual carnavalesco não errou e não exagerou em suas idéias e propostas? Tenho certeza que saberia dar um toque criativo na "BAHIA", um enredo batido e já cantado tantas vezes.
Perde a Viradouro sem a ousadia e criatividade desse fora de série do nosso carnaval, mas quem perde muito sem o espetáculo e show que esse jovem talento nos proporciona é o carnaval carioca.
O desfile desse ano terá luxo, muito luxo, mas sentiremos falta, pelo menos eu sentirei, da criatividade ousada e surpreendente do Paulo Barros nos desfiles do Grupo Especial.
Vamos aguardar da Renascer de Jacarepaguá, um pouco da criatividade e ousadia do Especial, que está de mudança para lá.
Um abraço
Luiz Fernando
| 32 Comentários
|
Topo
Que sinopse é essa?
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 02/07/2008 16:47:22
Leve como um suave toque de tambor
Simples e sucinta, detalhista sem detalhar coisa alguma
O Renato deu liberdade para os compositores criarem
E não permitiu detalhar no fundo como desenvolverá alas e alegorias
Fez uma poesia e desde já se torna parceiro do samba
Basta caprichar na melodia
Ele disse tudo e disse quase nada
E fez uma sinopse limpa e bonita como seu trabalho
Gênio tem dessas coisas: fala pouco e o que fala soa claro e sem retoques
Parabéns Renato,
Parabéns Salgueiro,
Parabéns para a ala dos compositores do Salgueiro que tem nas mãos uma obra prima
E só cabe lapidar e harmonizar numa melodia vibrante.
O Salgueiro terá um samba muito bom para o Carnaval 2009
Um bom samba começa numa boa sinopse e isso o TAMBOR tem.
Um abraço
Luiz Fernando
| 27 Comentários
|
Topo
Sorteio do Grupo Especial
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 29/06/2008 23:31:02
Sorteio depende de sorte e como sorte nunca foi o meu forte, nunca gostei desse tipo de seleção. Se eu peço par dá ímpar, se eu peço ímpar dá par. Se na roleta escolho preto dá vermelho, se escolho vermelho dá preto. Enfim, eu sou um autêntico exemplar de azarado.
Não amigo leitor. O site SRZD-Carnavalesco não está dando replay da matéria anterior. O papo do sorteio continua e focado no Grupo Especial, coordenado pela Liesa.
Novamente bato na mesma tecla, e desde já, me desculpem se pareço chato, sinceramente, acho que estou sendo, mas não posso deixar essa idéia adormecer eternamente no HD de meu PC.
Por que o fator sorte é o orientador da ordem de desfiles? Se esse espetáculo depende de talento, de samba, de ritmo, de beleza, bom gosto e criatividade, por que a sorte deve influenciá-lo? E com certeza ela acaba por influenciar.
Eu nunca vi uma escola de samba escolher seu mestre-sala ou sua porta-bandeira por sorteio, Nunca um carnavalesco foi escolhido com mão no saco. A escolha sempre leva em consideração o talento e o desempenho anterior dessa profissional. E por que devemos sortear a ordem de nossos desfiles?
E por que não podemos premiar o desempenho das escolas do ano anterior como o grande parâmetro para a escolha da ordem de desfiles? Não precisamos de sorteio algum. As próprias escolas, a partir de critérios, por elas mesmas determinados escolherão suas ordens de desfiles.
Criei também para o Grupo Especial um critério, que em nenhum momento, se propõe a ser o correto, o verdadeiro ou o ideal, apenas utilizarei como exemplo de como os sorteios parecem totalmente desnecessários.
A primeira escola a escolher sua posição de desfile seria a campeã do Grupo Especial do ano anterior. Para a escolha do próximo ano seria a Beija Flor, que escolheria sua posição e seu dia de desfile. Imaginemos que a escola nilopolitana escolhesse a segunda feira e sendo a quinta escola a desfilar.
A segunda escola a escolher sua posição seria a vice-campeã no ano anterior. E nesse ano seria a Acadêmicos do Salgueiro a fazer a segunda escolha. Imaginemos que o Salgueiro preferisse a segunda-feira, mas não colada na campeã Beija Flor e optasse por ser a terceira a desfilar na segunda feira de carnaval.
Nesse momento entraria em cena uma regulamentação específica para esse tipo de escolha: A diferença entre a quantidade de escolas de um dia e de outro nunca poderá ser maior que dois e com isso a terceira colocada no ano anterior, em nosso exemplo a Grande Rio, teria que, obrigatoriamente, escolher o domingo como seu dia de desfile. Isso faz com que exista um maior equilíbrio entre os dois dias de desfile. Vamos supor que a Grande Rio escolhe a quarta posição de Domingo de carnaval.
A quarta escola a escolher sua posição seria a quarta colocada do Especial do ano anterior. E nesse caso seria Portela. Como a diferença entre as quantidades de escolas de um dia e outro é agora de 1, a Portela pode escolher qualquer um dos dias. Se ela escolher desfilar na segunda, ele enfrentará num mesmo dia a campeã e a vice do ano anterior e isso pode não ser muito interessante. Se preferir o Domingo lá estará a terceira colocada Grande Rio. E aí aparece uma situação: a escola determinará, independente da sorte, uma estratégia de desfile.
Enfrentar as duas melhores colocadas no ano anterior num dia aparentemente melhor, a segunda-feira, ou em um dia considerando mais fraco, mas enfrentando diretamente a terceira colocada no ano anterior. Considero essa escolha de estratégia muito salutar para o mundo do samba.
E assim continuaria nossa escolha, sempre respeitando que a diferença entre as quantidades de escolas de um dia e outro nunca ultrapasse o valor 2, e sempre seguindo a ordem de classificação do ano anterior.
A última escola a escolher seria a Porto da Pedra, penúltima colocada em 2008. Restando para a campeã do Grupo A em 2008, o Império Serrano a derradeira vaga na ordem de desfile.
Aparentemente essa forma de escolha parece ser complicada, mas aos poucos o seu entendimento acontecerá e deixaremos de ter o sorteio, também no Grupo Especial.
Uma coisa merece ser elogiada no critério de sorteio da Liesa, ela tenta equilibrar as escolas de uma maneira bastante eficiente e, de certa maneira, tem conseguido isso com os pares equilibrados de escolas.
Porém, eu fico triste com uma coisa. Essa festa não poderia ser fechada, ela poderia e deveria ser aberta ao público, talvez, não na Cidade do Samba, mas na Apoteose, por exemplo. E como encerramento da festa uma grande noite de samba para todos nós, pobres sambistas.
Um abraço
Luiz Fernando Reis
| 7 Comentários
|
Topo
É preciso sorteio?
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 21/06/2008 18:44:01
Sorteio depende de sorte e como sorte nunca foi o meu forte, nunca gostei desse tipo de seleção. Se eu peço par dá ímpar, se eu peço ímpar dá par. Se na roleta escolho preto dá vermelho, se escolho vermelho dá preto. Enfim, eu sou um autêntico exemplar de azarado.
Lembrei disso quando li por aqui que o presidente Renatinho da São Clemente gostaria de trocar sua posição como primeira escola de desfile do Grupo de Acesso A com uma outra agremiação. Mas que regulamento louco é esse que pune uma escola que vem do Grupo Especial com a pior colocação de um desfile.
Claro que não é o fim do mundo abrir um desfile, mas não é nenhuma pole-position. Uma escola que vem do Grupo Especial traz toda estrutura remanescente de quem recebeu algo em torno de R$ 3 milhões e, por isso, certamente será uma das favoritas ao título do carnaval do Grupo de Acesso 2009. Por isso, eu não compreendo como ela precisa abrir os desfiles de sábado. Se é para atrair um bom público logo no início do desfile, sinceramente, eu não acredito que isso aconteça. O carnaval adulto está apenas começando.
A gente que tem um pouco mais de experiência nos desfiles de sábado sabe muito bem que ele também funciona como um bom teste para os desfiles do Grupo Especial no domingo e na segunda-feira. O som ainda não está devidamente equalizado, a iluminação ainda carece de ajustes, os camarotes ainda estão em sua fase final de decoração e ainda ouvimos pregos, martelos e grampeadores nos retoques. É nesse ambiente que a campeã desse mesmo grupo no ano retrasado começará seu desfile. Não posso concordar com isso.
E aí o amigo me perguntaria: O que tem o sorteio a ver com isso?
Por que o fator sorte deve nortear a ordem de desfiles? Se esse espetáculo depende de talento, de samba, de ritmo, de beleza, bom gosto e criatividade, por que a sorte deve influenciá-lo? Definitivamente, ela influencia.
Por que não podemos premiar o desempenho das escolas do ano anterior como o grande parâmetro para a escolha da ordem de desfiles? Não precisamos de sorteio algum. As próprias escolas, a partir de critérios, por elas mesmas determinados escolherão suas ordens de desfiles.
Criei um critério, que em nenhum momento se propõe a ser o correto ou o ideal, apenas o utilizarei para mostrar como os sorteios são totalmente desnecessários.
A primeira escola a escolher sua posição de desfile seria a vice campeã do Grupo A do ano anterior. Para o sorteio desse ano a Acadêmicos da Rocinha seria a primeira escola que escolheria sua posição. O presidente Maurício Mattos preferiria o miolo dos desfiles e numa posição que permitisse concentrar no lado do Correios, que no próximo ano será o lado par, inegavelmente, o melhor local de concentração.
A segunda escola de desfile seria a terceira colocada do Grupo A do ano anterior. Nesse ano seria a Acadêmicos de Santa Cruz.
A terceira escola a escolher sua posição seria a última colocada do Grupo Especial do ano anterior. Seria a São Clemente. Pensei muito nesse local e preferi a escola que veio do Especial pela estrutura que ela traz da elite do nosso carnaval.
A quarta escola a escolher sua posição seria a quarta colocada do Grupo A do ano anterior. Seria a Renascer de Jacarepaguá. A quinta escola a escolher sua posição seria a quinta colocada do Grupo A do ano anterior, que foi a União da Ilha do Governador.
A sexta escola a escolher sua posição seria a primeira colocada do Grupo B do ano anterior, ou seja, a Inocentes de Belford Roxo, que ficou com o título de 2008.
A sétima escola a escolher sua posição seria a sexta colocada do Grupo A do ano anterior. E nesse ano seria a Caprichosos de Pilares.
A oitava escola a escolher sua posição seria a segunda colocada do Grupo B do ano anterior, que foi a Paraíso do Tuiuti.
A nona escola a escolher sua posição seria a sétima colocada do Grupo A do ano anterior. E nesse ano seria a Estácio de Sá.
A décima escola a escolher e que não estará escolhendo sua posição, já que ficará com a posição restante e não escolhida seria a oitava colocada do Grupo A do ano anterior. E nesse ano seria a Império da Tijuca.
Perceberam que não utilizei em nenhum momento o fator sorte, utilizamos apenas o desempenho das escolas no ano anterior. Com isso teremos um espetáculo muito melhor dividido, com as possíveis favoritas desfilando em melhores posições.
Considero essa proposta interessante, mas tenho a consciência de que a ordenação dos critérios é uma coisa muito pessoal e sugiro aos amigos que melhorem ainda mais essa idéia. Fica uma pulguinha dizendo no pé do ouvido: As três últimas colocadas por esse seu critério serão contra a proposta, pois para elas o sorteio é bem mais interessante. Isso é verdade. Mas que esses presidentes pensem de forma otimista e não com o casuísmo do momento. Suas escolas amanhã vão adorar não entrar em sorteio.
Desculpem o tempo que tomei de vocês, mas esse troço de mão no saco nunca me cheirou bem (o trocadilho foi sem querer).
Um abraço
Luiz Fernando Reis
| 31 Comentários
|
Topo
Descanse em paz mestre Jamelão
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 14/06/2008 22:01:22
O rosto sempre fechado,
raramente simpático,
o mau humor de sempre
e envolto no pulso, o eterno elástico
A voz grave, afinada e elegante
O olhar firme, marcante
O verde e rosa correndo e vibrando nas veias
E bradando pra quem quisesse ouvir
"Puxador é quem puxa, quem canta é intérprete"
A Mangueira perde um homem, perde um nome e uma voz
Perde o samba carioca, perde o bolero e a canção brasileira
Perdemos todos, um timbre inesquecível
Você muito pouco sorria, mas nos fazia sorrir
Você não transmitia alegria, mas nos trazia alegria
Você ergueu tão alto e tão forte o nome de nossa querida Estação Primeira de Mangueira
Vá em paz mestre Jamelão
Sua passagem por aqui foi um show
Cartola, Lupcínio e Adoniram saberão te receber com o carinho que mereces
Obrigado por tudo José Bispo Clementino dos Santos
Obrigado Jamelão
Um abraço emocionado
Luiz Fernando Reis
| 0 Comentários
|
Topo
Vem aí mais um "banho" na Sapucaí
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 12/06/2008 00:58:43
Há um tempo atrás, conversando com o grande Laíla, esse moço entende tudo de carnaval, ele me dizia que adoraria ver na sua Beija-Flor um enredo mais leve, mais descontraído e mais popular e que propiciasse um samba solto, descompromissadamente alegre e muito pra cima.
O tempo foi passando e nada desse sonho acontecer. O que eu via eram monstros e mais monstros, algumas fantasias pesadas e nem sempre de um bom gosto apurado. Alegorias seguindo a mesma temática de peso nas cores meio mórbidas. Sinceramente não me agrava muito aquela Beija-Flor.
E aí chegou o carnavalesco Alexandre Louzada e com ele veio o que faltava para Beija-Flor, o bom gosto.
Se já era difícil ganhar de uma Beija-Flor pesadona e até meio triste, com a chegada do Alexandre e seu conhecido bom gosto, essa tarefa é hoje muito difícil.
E o enredo que o Laíla tanto queria, está acontecendo esse ano. Ele mesmo pediu aos compositores um samba pra cima, com refrões alegre e fortes. O excelente enredo merece isso.
Ele lembra um pouco o enredo do perfume na Estácio, lembra o "Chuê Chuá da Mocidade", lembra a própria Beija-Flor nos "Chuveiros da Ilusão". E que mal pergunte: Que enredo consegue não lembrar tantos outros?
Na verdade "No chuveiro da alegria quem banha o corpo, lava a alma na folia" não é um enredo e sim um tema enredo. O banho será explorado em todas as suas possibilidades.
Vem coisa muito boa por aí... Esse enredo promete e muito. A Beija-Flor pode dar um outro "banho" na Sapucaí.
Faço daqui um pedido: Que a Beija-Flor dê nome a seus profissionais e esqueça de vez essa coisa de Comissão de Carnaval.
Gostei muito do tema enredo "No chuveiro da alegria quem banha o corpo, lava a alma na folia", dos carnavalescos Alexandre Louzada, Laíla, Fran-Sérgio e Bira.
Um abraço
Luiz Fernando Reis
| 27 Comentários
|
Topo
Dez anos de S@mba-Net
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 10/06/2008 23:51:37
Vamos voltar ao ano de 1998. A convite do amigo e presidente da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro, Gustavo "Quiro" Diamante, assumi um cargo na diretoria cultural da entidade coordenadora dos desfiles dos Grupos de Acesso A, B, C, D e E.
O vice-presidente cultural da Associação era o carnavalesco e xará Luiz Fernando Abreu e éramos dois diretores: O também carnavalesco Eduardo Gonçalves, atual carnavalesco do Paraíso do Tuiuti, e eu.
Na verdade, a minha experiência naquela casa de sambistas já vinha de longa data. Fui representante de três agremiações - A Unidos de Cosmos, A Acadêmicos de Santa Cruz e também da Caprichosos de Pilares. E um pouco de minha experiência de samba foi adquirida nos calorosos debates nas plenárias da Associação. Eram aulas do que era o mundo do Samba. Bons tempos aqueles.
Mas voltamos ao ano de 1998. E como diretor, numa reunião de diretoria apresentei uma proposta de criarmos uma premiação específica para os Grupos de Acesso. Inteligentemente meus companheiros vetaram essa idéia maluca. Como a entidade coordenadora dos desfiles poderia assumir um premio para os melhores sambistas do Acesso? Só teríamos problemas e complicações em premiarmos nossas filiadas.
Mas aquela idéia parecia bastante interessante. Compreendi que não deveria ser a Associação, a responsável por esse prêmio. Esse prêmio fazia falta para escolas de samba dos Grupos de Acesso. As escolas do Grupo Especial já tinham o conceituado Estandarte de Ouro.
E não me dei por vencido. Peguei o telefone e liguei para o jornalista Felipe Ferreira expondo a minha idéia e ele de imediato aceitou a proposta de criarmos um prêmio específico para as escolas dos Grupos de Acesso.
E foi assim de uma forma amadora e até simplista demais que nascia o prêmio S@mba-Net. Um premio criado no seio da internet, daí o nome S@mba-Net, já que todos os seus fundadores eram participantes da lista de discussão Rio-Carnaval.
Seus fundadores foram Luiz Fernando Reis, Jorge Mendes Carneiro, Paulo Renato, Vitor Monteiro, Rachel Valença, Felipe Ferreira, Walter Honorato, Alexandre Omi, Fernanda Ferrão, Ricardo Lourenço, Marcelo O'Reilly, Marcos Paulo e Alexandre Medeiros.
Apenas os quatro primeiros ainda são coordenadores do prêmio, os demais se afastaram por motivos pessoais.
Apesar de nascido nas listas de discussão, a premiação S@mba-Net não é virtual, ela é verdadeiramente real. Um grupo que chega perto de 200 pessoas se reúne, nas frisas da Marques de Sapucaí, nos dias de desfile, dos Grupos de Acesso A e B, e indica em cada uma das categorias até três nomes. Os três melhores por categoria são levados a uma votação entre os coordenadores do prêmio e sai o grande vencedor dos Grupos A e B, em cada uma das categorias.
As duas primeiras festas foram realizadas na quadra da Paraíso do Tuiuti e todas as seguintes na quadra da Unidos da Tijuca, que tem na figura de seu presidente Fernando Horta um parceiro nota 1000.
Essa coisa pequena, quase uma brincadeira de internautas foi tomando um vulto inimaginável para cada um de nós. E cada ano que passava ele ganhava mais volume até se tornar em uma das mais importantes festas do mundo do samba. Seria muita pretensão de minha parte dar ao SambaNet o adjetivo de formador de opinião no mundo do samba, mas somos inegavelmente uma forte referência nos Grupos de Acesso A e B.
E foram tantos troféus premiando sambistas, artistas anônimos e talentosos, baianas, crianças e ritmistas. Algumas vezes erramos e se fizemos agimos sempre com a consciência tranqüila, procurando sempre acertar e se nos enganamos em alguma premiação, desculpem-nos, mas tenham a consciência que erramos por incompetência e nunca por desonestidade.
Se tem uma coisa que enche de orgulho cada um dos coordenadores do S@mba-Net é a sua lisura e transparência. Entre nós, o voto de um fundador tem o mesmo peso do voto e a opinião de um coordenador recém chegado.
Se chegamos em nossa décima premiação cabe agradecer a tantos amigos que tornaram essa festa uma agradável realidade.
Muito Obrigado Chiquinho Pastel, o Chiquinho do Babado da Folia, nosso padrinho, conselheiro e patrocinador que acreditou desde o início na idéia de valorizarmos os sambistas do Grupo de Acesso. Muito Obrigado Marquinho dos Toldos, amigo e parceiro desde a primeira festa. Sem você a nossa festa nunca seria a mesma. Muito Obrigado Mauro Geradores, amigo, patrocinador e parceiro, por confiar em nossa proposta. Muito Obrigado Milton Cunha. Muito Obrigado Eugênio Leal. Muito Obrigado mundo do Samba por fazer do SambaNet essa bonita festa que chega na sua décima edição.
Então podemos combinar assim: No próximo sábado, a partir das 21h, na quadra da Unidos da Tijuca, no Clube dos Portuários, venha participar da entrega da décima edição do prêmio S@mba-Net. O mundo do samba espera todo o mundo lá.
Desculpe se dei um toque muito pessoal e presunçoso nessa matéria, mas o S@mba-Net é um filhote que me orgulha muito.
Um abraço e até lá
Luiz Fernando Reis
| 7 Comentários
|
Topo
Dificuldades dos Grupos de Acesso
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 03/06/2008 09:41:23
Numa das matérias de nosso site, dias atrás, li uma que me fez pensar e repensar nas escolas de samba dos Grupos de Acesso.
A simpática e tradicional Em Cima da Hora anunciou o seu enredo para o Carnaval 2009, cujo título pomposo e sugestivo é "Sob as barbas de Noé, colori de Azul-e-Branco a Arca de Vinicius", de autoria dos jovens carnavalescos André Tabuquine e Anna Clara Tavares.
Pensei com meus botões. Será que uma escola do Grupo de Acesso D tem estrutura para desenvolver um enredo tão rico e pujante como esse? E de imediato veio a resposta. Claro que não. E por que não?
Uma dupla jovem e inexperiente de carnavalescos saberá desenvolver convincentemente esse enredo? Acredito, sinceramente, que sim. A juventude sempre dá um ímpeto novo, garra e vontade que supre a ausência de experiência. O problema não são os carnavalescos.
Então o problema está na Em Cima da Hora? Também não é esse o problema. Vamos lembrar que a Em Cima da Hora já nos brindou com belíssimos sambas e desfiles corretíssimos e teria competência para desenvolver com plenas condições esse enredo.
Então, qual é o problema desse enredo?
O problema não é o enredo, não são os carnavalescos, não é a escola e nem tampouco sua diretoria. O problema passa pela Associação das Escolas de Samba, mas ainda não é ela a grande responsável.
Até poderia se mexer um pouco mais, mas não é ela a grande culpada. A culpa vem do topo, vem lá de cima, vem da prefeitura do Rio de Janeiro, que insensível não percebe que apoiar as escolas de samba é apoiar o maior patrimônio cultural de nossa cidade.
Como pode uma escola preparar um carnaval e um bonito enredo como esse, sobre o poetinha Vinicius de Moraes com pouco mais de R$ 30 mil?
É possível preparar duas alegorias com tão pouco recurso? Como vestir os dois casais de mestre-sala e porta-bandeira? Como confeccionar as 300 fantasias que serão ofertadas para comunidade?
Nesse grupo os presidentes da alas não existem ou são raríssimos. E só restará para Em Cima da Hora contar com o apoio de uma ou mais escolas em melhores condições financeiras. Nem lembrarei de barracão, esse assunto merece uma coluna só dele.
A roupa do primeiro casal pode ser a roupa do segundo ou terceiro casal de uma escola do Acesso A ou B de dois anos atrás. Algumas esculturas pode vir da Mangueira, da Portela ou de outra escola do Especial ou mesmo do Grupo A. Aquele índio bonito que desfilou na Vila Isabel num ano qualquer, apesar de não caber no enredo, vai sair sim e no carro abre-alas. A dupla de carnavalescos que se vire para arranjar explicação para um índio num enredo sobre Vinicius e sua Arca de Noé.
O coreógrafo da Comissão de frente será um integrante de uma outra comissão que improvisadamente criará algo em cima de algumas fantasias de ala que um amigo presidente de ala ofereceu.
E até gente disposta a desfilar e com roupa gratuita é difícil conseguir para o desfile da Em Cima da Hora, na segunda-feira de carnaval, em Campinho, na Estrada Intendente Magalhães. Os sambistas estão todos a postos nos desfiles da Marques de Sapucaí, inclusive esse amigo que escreve.
Porém, a Em Cima da Hora estará lá defendendo seu passado, sua bandeira e sua história. Quem sabe nesse ano ela volta ao próximo grupo, o Grupo C e aí os problemas continuarão ainda mais complicados.
Desejo para todos os amigos de Cavalcanti e da azul-e-branco da Linha Auxiliar muito boa sorte nesse carnaval e peço desculpas por usá-la como exemplo, pois poderia ter usado o exemplo de qualquer outra escola dos sacrificados Grupos de Acesso C, D ou E.
E usando um velho jargão popular. As dificuldades das escolas do Grupo de Acesso são as mesmas. Só mudam as cores das bandeiras e os endereços.
Esse assunto vai continuar numa próxima Conversa de Carnavalesco
Um abraço
Luiz Fernando Reis
| 18 Comentários
|
Topo
Escola GLS
Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 24/05/2008 03:01:00
O Mundo do samba tem uma coisas estranhas que, vira e mexe, me surpreendem. Num dia desses aqui no SRZD-Carnavalesco foi publicada uma matéria onde o intérprete da União de Jacarepaguá Rixxa (Foi assim que aprendi a escrever e a ser fã de uma das mais bonitas vozes de nosso carnaval) fundou uma escola GLS, claro, destinada ao público homossexual. Até aí nada demais, ou melhor, até aí tudo demais.
Se tem uma manifestação recreativo-cultural quase que totalmente isenta de preconceito, essa manifestação é o carnaval e as escolas de samba. Vou explicar melhor essa pluralidade.
Que manifestação aceita com tanto carinho os mais velhos e dá crédito e respeito, senão as escolas de samba? Nem se ouvia falar em estatuto dos idosos e nós já aceitávamos, quem nos aceitou, os mais jovens, foram eles. Existe algum preconceito para as nossas Velhas-Guardas? Existe algum preconceito com as nossas queridas tias ? as alas de Baianas?
Que manifestação aceita com tanto carinho os muito jovens, ainda crianças e dão crédito, ala e espaço, senão as escolas de samba? Nem se ouvia falar em estatuto das crianças e adolescentes e nós já aceitávamos de braços abertos. Existe algum preconceito para as nossas crianças?
Que manifestação sempre aceitou com carinho e sem discriminação os homossexuais, e a eles deu crédito, destaque e espaço, senão as escolas de samba? Nem se ouvia falar dos movimentos GLS e nós já aceitávamos de braços abertos. Existe algum preconceito para os homossexuais em nossas escolas de samba?
A grande maioria dos carnavalescos responsáveis pela maravilhosos desfiles que assistimos e participamos são homossexuais e nunca colocamos obstáculos a isso.
Por isso, eu me surpreendi com o excelente intérprete Rixxa (vou continuar escrevendo assim, pois parece que ele muda de numerólogo a cada ano e cada vez com grafia diferente) sabidamente heterossexual fundar uma agremiação destinada ao público GLS, mas aberta para todos.
Só entenderia essa nova agremiação, se algumas de nossas escolas, de qualquer grupo ou cidade de nosso país rejeitasse os homossexuais em suas quadras ou desfiles. E qualquer um de nós sabe que isso não acontece.
Mas o mundo do samba é uma mãe receptiva e está sempre de braços abertos para quem quer que seja. Que venha a Arco Íris e que tenha o seu presidente com intérprete.
Antes do abraço final, eu vou lembrar um detalhe que talvez os amigos não saibam. Não basta um grupo de pessoas se reunir e fundar uma escola de samba e se filiar na Associação das Escolas de Samba. O processo não é tão imediato assim.
As demais escolas reunidas em plenário precisar aceitar a entrada de novas agremiações e isso não é uma coisa tão simples como possa parecer. A subvenção que vem da Prefeitura do Rio será rateada por todas as escolas e as demais não vêem isso com muito carinho. A melhor e mais rápida resolução desse problema é a compra de uma escola que esteja prestes a enrolar sua bandeira. Mas isso é assunto de uma outra Conversa de Carnavalesco.
Um abraço
| 9 Comentários
|
Topo
























